Grupo de casais grávidos

A gravidez é um momento na vida da mulher – e do homem também – no qual ambos experimentam uma variedade de sentimentos ambivalentes, indo dos mais agradáveis e surpreendentemente prazerosos até os mais bizarros e angustiantes.

Dúvidas, incertezas e desafios surgem dia após dia. Será que o que é vivo é normal? O que fazer com tanta mudança? Se agora está assim, como será depois? E se… Ouvi dizer que…

A cabeça dos grávidos não vem com botão off para desligar! E ainda parece uma esponjinha que capta tudo que acontece a sua volta. Então, o que fazer com isto tudo + todas as outras coisas que envolvem este momento da vida: família, trabalho, casa, corpo, enxoval, maternidade, parto, puerpério, amamentação, cuidados com o bebê, cachorro, finanças, gente para ajudar?

Falar, rir, chorar, perguntar, se questionar, planejar, encarar o previsto e o imprevisto!

O Grupo de Casais Grávidos do Núcleo Cuidar é um grupo aberto, em que os participantes vão chegando e saindo conforme a “boa hora” se aproxima.  Mais do que um espaço de informação, reflexão e troca de experiência, o grupo é uma oportunidade para que as vivências da gravidez e do que está por vir ganhem significado que vão além do reducionista “isso é coisa de grávida(o)!” ou “é assim mesmo”.

Vivenciar a gravidez de forma não aprisionada é essencial para que os futuros pais sintam-se mais seguros e confiantes para cuidar de si e de seu(s) bebê(s).

Venha fazer parte desse grupo! Vagas limitadas.

Coordenação: Beatriz Kesselring (enfermeira obstetra) e Patrícia L. Paione Grinfeld (psicóloga).

Quando? Todas as quartas-feiras, das 13:30 às 15:00 horas.

Onde? No Núcleo Cuidar Beatriz Kesselring.

Entrada gratuita.

Núcleo Cuidar

Segredos de crianças

– “Você promete que não vai contar para ninguém?”

– “Prometo por tudo que é mais sagrado.”

É com este diálogo inicial que o livro Segredos, de Ilan Brenman, narra a história de duas amigas, Joana e Manuela. Sem conseguir guardar o segredo da melhor amiga, Joana vai ao banheiro da escola e grita para dentro da privada: “A Manuela gosta do Rafael Ruivo!”. Aliviada, a menina dá descarga e volta à sala de aula. O que ela não esperava era que a privada contasse o segredo toda vez que a descarga era dada. Assim, cada vez que uma criança ia ao banheiro, o segredo era pronunciado.

Foi desta forma que a “paixão” de Manuela foi revelada para toda a escola. O falatório rolou solto e o tal segredo se espalhou. Manuela ficou envergonhada e triste. Mas, para sua surpresa, Rafael Ruivo ficou sabendo e, ao encontrá-la, teve coragem de dizer à menina que também gostava dela.

Um segredo tem sempre dois lados, o de quem conta e o de quem ouve.  Segredos falam de intimidade, cumplicidade e confiança entre pessoas. Ao mesmo tempo diz sobre algo privado, que ainda não podemos ou não queremos compartilhar com quem nos cerca. Muitas vezes, seu conteúdo é difícil de ser dito por nós mesmos, precisando ficar trancado a sete chaves. Seja por vergonha, conteúdo proibitivo, repressor e/ou marcado por dificuldades, medos ou outros motivos que não podem ser revelados e  assumidos, os segredos fazem parte da vida, inclusive das crianças.

Distorcido ou puramente legítimo, quando um segredo é quebrado, as pessoas envolvidas acabam expostas e a confiança entre elas pode ficar abalada. Lidar com esta situação provoca muito desconforto e constrangimento.

No entanto, quando um segredo é revelado, a criança ou adulto podem sair de um aprisionamento emocional, como aconteceu com Manuela e, há de se pensar, Rafael. Lidar com a verdade que há dentro de nós, tomar consciência, nomear e assumir para nós mesmos e para o outro aquilo que é genuinamente nosso revela amadurecimento e segurança emocional.

Então, para quê guardar segredos? Esta é uma pergunta que cada um responde para si, verifica e analisa a importância de um segredo, que sempre é  único e singular para as pessoas e nas relações.

O que sabemos é que desde crianças somos colocados diante de situações que nos testam a todo instante e nos põem a prova diante da amizade, da confiança, do respeito e da cumplicidade.

Segredos / Ilan Brenman; ilustrações de Anuska Allepuz. São Paulo: Editora Moderna, 2014.

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Escola e TV: uma dupla perigosa

Quando li no Estadão Raciocínio em frangalhos, de Lúcia Guimarães, recordei-me da minha experiência em procurar a primeira escola de meu filho. Visitei inúmeras, entre seus nove meses e um ano e meio de idade. Em quase todas havia em comum a presença de TVs nas diversas salas – de aula, de refeição, de descanso.  Eu não conseguia (e ainda não consigo) entender o sentido delas na educação infantil. Em quê elas contribuem para o desenvolvimento da criança?

A criança que vai para a creche ou a escola, em qualquer idade, vai, acima de tudo, para se relacionar com pessoas de fora de seu círculo familiar. Se ela é levada com o intuito de ser “cuidada” é porque alguma das pontas, família ou equipamento de educação infantil, desconsidera que o cuidado pelo cuidado é uma ação robotizada, pobre na tecedura de vínculos, essenciais para o desenvolvimento cerebral dos primeiros anos de vida e, consequentemente, para o desenvolvimento global do ser humano.

Criança precisa de gente para virar gente. Precisa de outras crianças de idade próximas a ela e de adultos que se interessem e se dediquem a ela. É através da interação com pessoas e da livre exploração do ambiente que a criança cria e amplia seus repertórios sensoriais, motores, verbais, cognitivos e sociais. É isso que a possibilita encontrar caminhos mais saudáveis para lidar com as adversidades que a vida irá lhe apresentar.

No exemplo de Lúcia Guimarães, e outros semelhantes que testemunhamos diariamente, a TV e as demais telas têm sido confundidas como dispositivos educativos porque vendem a ideia de que seus programas ensinam, estimulam e permitem a interação.

Por mais que a criança aprenda com o que ela vê e ouve através da tela, ela aprende por imitação passiva e não por investigação ativa. Sua interação acontece dentro de um modelo pré-estabelecido e não pela liberdade de criação. Da mesma forma, a criança se aquieta pela forma estruturada como as cores, sons e movimentos se apresentam nas telas e não pelo uso de seus próprios mecanismos internos de tranquilização ou de recursos que são oferecidos por seus adultos de referência.

Crianças diante das telas não compartilham experiências, nem estabelecem trocas afetivas. Como resultado, essas crianças dificilmente conseguem ser consoladas em suas aflições. Tornam-se irritadiças, agressivas, com baixo grau de tolerância, precisando sempre de um agente externo para se tranquilizar. Comumente, esses agentes acabam sendo objetos não humanos, como o próprio prolongamento do tempo diante das telas e a ingestão de alimentos ou mesmo de remédios.

Se não temos a dimensão do que as telas causam na vida de uma criança pequena, sem querer, distanciamo-la das relações humanas e caímos, junto com ela, na armadilha do consumo de coisas desnecessárias. A criança vai sendo entupida de entorpecedores. Mais tarde, o discurso que impera é que ela só faz determinada coisa com a TV ligada, é viciada na tela, mandona, não se interessa por novidades que lhe são apresentadas, entre outros.

Com as famílias cada vez menores e a vizinhança cada vez mais fechada atrás de suas portas, as creches e escolas acabam sendo lugares extremamente necessários para as crianças experimentarem diferentes formas de se relacionar. Ao colocarem TVs em suas salas, com o objetivo de entreter, compartilhar e ensinar, ela faz exatamente o contrário do que é seu propósito: educar. Mais tarde, não adianta dizer que o aluno é hiperativo, não colabora e não aprende. Criança só desenvolve recursos internos para se tranquilizar, estar junto e aprender quando está verdadeiramente conectada consigo mesma e com adultos que lhe transmitem segurança. Do contrário, ela vai optar pelas telas e outros objetos não humanos para dar conta de suportar a solidão e o vazio de uma vida emocional empobrecida.

* Este texto foi originariamente publicado no blog do  Movimento Infância Livre de Consumismo, em 30/09/2014.

Dia das Crianças: um dia para celebrar a infância

Dia das Crianças, para muitos adultos, sempre foi sinônimo de presentear; para as crianças, de ganhar brinquedos. Essa ideia, contudo, começa a ser transformada por aqueles que buscam alternativas para celebrar e dar um novo significado a datas que são culturalmente atreladas ao consumismo; entre elas, o Dia das Crianças.

No entanto, sabemos que esse é um processo que anda na contramão de arraigados valores sociais, onde o brincar está predominantemente associado à presença de brinquedos. Isso, sem dúvida, dificulta adultos e crianças imaginarem um Dia das Crianças em que não se dá/ganha brinquedos.

Para os adultos que optam por não dar brinquedo no Dia das Crianças, não basta dizer de uma hora para outra que na data a criança não vai ganhar presente porque já tem muitos, a data é meramente comercial, o dinheiro está curto, entre outros. Qualquer que seja o motivo é preciso construir com a criança a ideia de que o Dia das Crianças é um dia para celebrar a infância e não para ter que dar/ganhar brinquedos.

Essa construção deve ser contínua, e precisa partir dos ambientes que a criança frequenta, como a família, a escola e seu círculo social mais amplo. Para isso, é preciso primeiro que o adulto acredite na ideia de que é possível celebrar sem comprar; depois, que a criança entenda e veja sentido no que está sendo proposto. Fica totalmente ambíguo, por exemplo, no Dia das Crianças a criança não ganhar presente e no Dia das Mães, dos Pais ou dos Professores estes cobrarem, mesmo que indiretamente, por seu presente.

Em optando por desvincular a comemoração do Dia das Crianças a uma data comercial, cada família e instituição na qual as crianças estão inseridas deve encontrar seu jeito de transformar essa data num dia gostoso e especial. As possibilidades de celebração são muitas e devem ser estudadas e posteriormente escolhidas pelos envolvidos – pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, padrinhos e afilhados, professores e alunos.

Crianças gostam de ser criança, de estar com quem tem grande afeto e de brincar livremente. Por isso, uma boa maneira de comemorar o ser criança nesta data são passeios que oferecem interações e trocas com pessoas que para as crianças são especiais.

Brincar ao ar livre, em parques, praças, clubes, onde tenha espaço para correr, pular, escalar, deitar e rolar é sempre uma ótima opção, ainda mais quando se inclui um piquenique. Crianças gostam de atividades lúdicas e recreativas oferecidas nos centros de convivência; gostam de criar os próprios brinquedos com recicláveis, assim como, de atividades em que possam entrar em contato com a natureza: areia, água, grama, praia. Zoológicos, aquários e museus são espaços também interessantes para serem incluídos no roteiro comemorativo. Vale ainda dar à criança a oportunidade de ir a um lugar que ela goste ou tenha vontade de conhecer.

Mesmo sendo bom inovar, nem sempre o passeio precisa ser fora do habitual e em locais diferenciados. Em casa é possível transformar o dia com leitura, desenhos, pinturas e reinvenção de atividades cotidianas – um café da manhã na cama, uma sessão pipoca com o filme predileto ou inédito, um acampamento na sala, são alguns exemplos.

Para aqueles que curtem e/ou valorizam a celebração com um brinquedo novo, existe sempre a possibilidade de construir algum com a criança ou participar de uma feira de troca de brinquedos. Além de sempre poder brincar e trocar experiências com outras crianças, as crianças têm a oportunidade de escolhas vinculadas ao seu próprio desejo e de exercitar a negociação de objetos de acordo com seus próprios anseios e valores.

Então, fica aqui um convite: por que não comemorar o Dia das Crianças celebrando a infância com o que as crianças mais precisam: presença e livre brincar?!

A conexão verdadeira com os filhos

Têm dois textos, esse e esse, escritos por Rachel Macy Stafford, professora de educação especial e autora do blog Hands Free Mama e do livro de mesmo nome, que chamam minha atenção pela quantidade de comentários de mulheres identificadas com trechos de seus escritos. Eu mesma já comentei sobre um deles aqui.

Parece-me que a identificação acontece porque encontramos em seus depoimentos os mesmos deslizes que cometemos com nossos filhos, como dizer “anda logo” ou gritar diante de uma situação banal.

Acredito que muitos desses comportamentos decorrem – em parte – do fato de estarmos conectados a muitas coisas ao mesmo tempo. Não me refiro apenas aos “excessos de distrações eletrônicas” por ela citado, mas também à necessidade de estarmos ligadas 24 horas a tantas outras, como a família, o trabalho, o conhecimento, a segurança, a saúde – só para citar alguns ou os principais.

O tempo todo convocamos e somos convocados a uma forma de conexão com o mundo bastante tarefeiro. Isso, sem dúvida, reflete na relação com os filhos, os quais acabam entrando “na lista” de deveres do dia: levar e buscar na escola, acompanhar lição de casa, alimentar, colocar para dormir, etc. É uma vida automática, rotineira, empobrecida em sua essência criativa. Vive-se ao lado, às vezes junto, mas raramente com os filhos (e outras pessoas). É uma conexão com tudo, mas não necessariamente uma conexão verdadeira.

Penso que é essa conexão verdadeira o que Rachel Macy Stafford e tantas outras mães tentam resgatar. Uma conexão que originalmente se estabelece na relação da mãe com seu bebê nos primeiros meses de vida, mas que acaba se perdendo conforme a criança vai ficando mais autônoma e independente.

Sabemos que a mãe precisa aos poucos retomar as outras coisas da sua vida, o que é bom e esperado, inclusive para que ela não se cole ao bebê. No entanto, se a conexão verdadeira não acontece de modo suficiente nos primeiros anos de vida (e não apenas nos primeiros meses), a criança muitas vezes acaba desenvolvendo uma falsa autonomia; ou seja, é uma criança que se vira na vida, é bem adaptada, mas no seu íntimo é insegura.

Se de um lado os “excessos de distrações” (eletrônicas ou não) contribuem para não nos conectarmos verdadeiramente a nossos filhos, de outro, a conexão pode não acontecer porque somos tomados pela criança que reside em nós. Também precisamos de colo, proteção, olhares atentos, escuta. Porém, tão parecido com os bebês e crianças, nem sempre conseguimos reconhecer nossas necessidades, nomeá-las e até mesmo pedir a quem está a nossa volta aquilo que precisamos (se é que entorno dá conta deste pedido!). Daí gritarmos, ficarmos descabeladas, mandarmos dos filhos andarem logo, deixarmos com que as crianças se ocupem de telas, etc. Nosso desamparo também impede a conexão com os filhos, seja em momentos pontuais ou contínuos. Se não cuidarmos dele, continuaremos conectadas às tantas tarefas rotineiras desenhadas por nossa cultura, distanciando-nos cada vez mais da verdadeira conexão, essencial para o desenvolvimento emocional das crianças e nosso.

Então, cada vez que mergulharmos em uma de nossas tarefas, sempre vale a pergunta: preciso mesmo cumpri-la ou ela entra no lugar de alguma outra coisa que não sei bem ao certo o que é – ou até sei, mas é difícil assumir?

A maternidade é uma oportunidade para o autoconhecimento. É pegar ou largar!

É preciso de uma tribo inteira para educar uma criança*

Com as discussões sobre a regulamentação da publicidade infantil, apresento no blog do Infância Livre de Consumismo uma reflexão sobre a cultura do ter: o consumismo, a responsabilidade da sociedade na educação das crianças e a necessidade da regulamentação. Para ler o texto, clique aqui.

* O título é um provérbio africano.

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